domingo, 24 de maio de 2009

105 - Desiderata


"Vai placidamente em meio á confusão e á impetuosidade, mas lembra-Te de quanta paz existe no silêncio.
Sem Te renderes, faz o possível para estar bem com todos.
Diz a Tua Verdade devagar e claramente: mas, ouve os outros, mesmo o tolo e o ignorante; também eles têm algo a contar.
Evita pessoas barulhentas e agressivas, elas são incomodas para o espiríto.
Se Te comparas aos outros, podes te tornar fútil e amargo; porque sempre haverá pessoas melhores e piores que Tu.
Desfruta dos Teus empreendimentos como também dos Teus projetos.
Conserva-Te interessado em Teu trabalho, não importa quão humilde seja; é uma coisa que possues nas mudanças da sorte e do tempo.

Pratica a prudência nos Teus negócios, porque o mundo está cheio de impostores. Mas não deixes que isto Te impeça de perceberes a verdadeira virtude onde esta existir, muitas pessoas há, que lutam por altos ideais; em toda a parte, a Vida está cheia de atos de heroísmo.

Sê Tu mesmo.
Especialmente, não finjas afeição.
Nem seja ciníco no Amor, porque no meio de toda aridez e desencanto, Ele é ainda Quem predomina.

Toma humildemente o conselho dos anos, e graciosamente concede as coisas da juventude.
Alimenta força de espírito, para que Te escudes num momento de súbita desgraça.
Mas não Te entristeças com as coisas da imaginação.
Muitos receios nascem da fadiga e da solidão.
Além de uma disciplina correta, sê gentil Contigo mesmo.

Tu és um Filho do Universo, não menos que as estrelas ou as árvores, Tu tens o direito de estar aqui. E seja isso claro ou não para Ti, não há dúvida de que o Universo se desdobra exatamente como deve ser.

Portanto, fica em Paz com Deus, qualquer que seja o Teu conceito dele; e quaisquer que sejam Teus trabalhos e aspirações na barulhenta confusão da Vida, conserva-te em Paz com a Tua Alma.

Apesar de toda a vergonha, enfado e sonhos desfeitos, este ainda é um mundo bonito.
Tem cuidado.
Luta para seres feliz."

De um manuscrito encontrado na Igreja velha de São Paulo em Baltimore - datado de 1692


sp - 1986



Imagem: Folhas Soltas e Google Images

domingo, 10 de maio de 2009

104 - Matriarca


Eu nunca quis ser Mãe.
Desde criança já sabia que Mãe não seria.
Gosto de ter "ficado para Titia" - através de meus sobrinhos, de certa forma (e vamos deixar claro que de uma forma "beeeeeeeem" superficial, eu sei) desfruto um pouco do que é Ser Mãe.

E Ser Mãe é trocar fraldas sujas, lavar uma montanha de roupas sujas, não dormir direito por causa de um bebê chorão, quase morrer do coração quando esse pequenino cai ao começar a ensaiar os primeiros passos, correr para o hospital quando mais crescidinho ele quebrar a perna, ameaçar quando cheio de "marra" ele decide não comer ou ir para a escola, só ir dormir quando finalmente ele chegar da "balada" e por aí vai.

Por outro lado, Ser Mãe é dar risada com o "pum" que antecede o sujar as fraldas e se encantar com o tamanho das roupinhas no varal; é observar o bebê dormindo e suspirar de alívio por ele estar bem; é assinar o nome no gesso da perna e ainda desenhar coraçõezinhos e feliz vê-lo "raspar o prato" e ficar todo elegante no uniforme escolar. Ser Mãe é poder dar o beijo de boa noite ou bom-dia quando o filho finalmente chega em casa e a Vida segue.
Segue por um Amor Infinito...

Tendo uma idéia (apenas a ponta do iceberg, diga-se de passagem) do que é Ser Mãe que Agradeço todos os dias por minha Mãe não ter tido as mesmas idéias que as minhas.
Porque do contrário, não estaria aqui escrevendo esta inusitada homenagem.
E chegando a seguinte conclusão: as vantagens de Ser Mãe superam (e de longe) as vantagens de ser Titia.

Te Amo, Mãe!!!

terça-feira, 5 de maio de 2009

103 - Palavras, Contas e Bolinhas...


Dizia minha Avó que as contas, só são contas, porque são furadas. Não fora essa circunstância e seriam apenas bolinhas.

Assim que, muito embora algumas vezes se possa afirmar: - conto fazer ou: - não conto fazer, – não deixe dúvidas a ninguém que: - conto – usado nessa acepção é apenas a confissão de um desejo, de um propósito, e nunca um compromisso de honra; liberdade que um: - não – e menos um: - nunca – ou, um – jamais – permitirão a quem quer que seja.


As palavras deveriam ser pensadas e usadas com prudência e cautela. Com respeito. As palavras são armas de dois gumes. As palavras valem pelas intenções de quem as profere e valem pelo valor que lhes atribui quem as escuta, bem como pelo peso de consciência daqueles a quem são dirigidas.

As palavras, porque com elas se exprimem sentimentos, podem encerrar em si toda a força que cabe no amor, no ódio, no desprezo, na indiferença, na raiva, na ternura, na bondade, na condescendência, na tolerância, na vingança, no perdão, na esperança, no medo, na dor...

Com palavras se fere e se consola.

Com palavras se ameaça.

Com palavras se enaltece, se denigre, se destrói, se louva, se acarinha, se ofende, se mente, se corrompe, se culpa e desculpa, se acusa, se julga, se amaldiçoa.

Com palavra se fala verdade, com palavras se esclarece, se confunde, se aconselha, dá alvitres, opiniões, com palavras se concorda ou discorda.

Com palavras se reza, se blasfema, se abençoa...

Com palavras se canta e chora...se esconjura...

Com palavras se escreve, se faz história, poesia, se passa testemunho. Com palavras se insinua e se afirma. Com palavras se nega e, no entanto, com toda a força e poder que as palavras encerram sempre as palavras ficarão aquém do sentimento de que se querem imbuir.

Entre as palavras e a força interior que as gera estará sempre a pessoa que as pensa e as solta em nome do tumulto de emoções de onde germinaram.

Como entre a nuvem e a chuva em que ela se desfaz há o espaço entre céu e terra onde a água vem cair.

Nesse caminho se altera. Capta poeiras. Acusa as temperaturas. Torna-se bátega, chuva mansa, neve, granizo... Porém, sempre já alterada chegará ao solo que é seu destino.

E também aí se transmuda.

Charcos com ela reviverão. Rios com ela engrossarão seus caudais. A terra a beberá, e, no entanto, o que dá vida também pode causar morte. Enchentes destroem. Enchentes arrasam. Enchentes afogam. Enchentes assolam...

E tudo provém da mesma raiz – a água – que, tal como a palavra, pode ser mansa e tranquila como um lago parado ou violenta, impetuosa, arrasadora, incontrolável...

Entre nós e as palavras que fique sempre atento o coração que as sopese e a luz da inteligência que as ilumine na voz que as profere.

A palavra recria.

A palavra é livre, mas é engajadora.

Porém, apesar dos riscos, e com todos eles, entre nós e as palavras ficará de pé, erecto, como de gente que somos o nosso inalienável dever e direito de falar.


Maria José Rijo

sexta-feira, 1 de maio de 2009

102 - Magia


Magia da grafia.
Encanto da palavra.
Alegria registrada.
Emoção indefinida.
Amor Infinito.




Para a Rebeca e o Jota Cê, que gentilmente presentearam o Alfarrábio com o belo e delicado selo acima, a regra é uma só: não existem regras!
Convido a cada um dos Amigos de Boas Palavras a levá-lo para seus blogs, onde a "MagiaGrafia" acontece.

Agradeço muito esse casal apaixonado e apaixonante e sugiro uma visita a cada um de seus Amorosos, Ardentes e Delicados quartos...
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